Advogado diz que Luís Felipe Manvailer, marido da vítima, tentou 'tirar a própria vida'. Penitenciária em Guarapuava diz que ele está bem fisicamente, mas abalado emocionalmente.
Por Alana Fonseca e Bibiana Dionísio, G1 PR, Guarapuava
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Luis Felipe Manvaler, de 32 anos, é acusado de matar Tatiane Spitzner, de 29 anos. Os dois estavam casados desde 2013 (Foto: Reprodução/Facebook)
A defesa do professor Luís Felipe Manvailer, de 32 anos, acusado de matar a esposa, a advogada Tatiane Spitzner, de 29 anos, pede que ele seja transferido de onde está preso em Guarapuava, na região central do Paraná, depois da tentativa de "tirar a própria vida".
A advogada foi encontrada morta depois de cair do 4º andar do prédio onde morava com o marido, no Centro de Guarapuava. Imagens de câmeras de segurança mostraram que ela foi agredida durante 20 minutos por ele antes da queda.
O que se sabe do caso de Tatiane Spitzner
No mesmo dia da morte, Luís Felipe foi preso suspeito do crime. Ele nega as acusações e diz que a mulher se jogou da sacada, de uma altura de mais de 20 metros.
O professor foi denunciado por homicídio, fraude processual por alterar a cena do crime e cárcere privado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).
Até a última atualizado desta reportagem, a Justiça não tinha se manifestado sobre a aceitação ou da denúncia.
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Câmeras registraram agressões do marido a Tatiane Spitzner no elevador do prédio (Foto: Câmeras de segurança)
A defesa pede que Luís Felipe seja transferido da Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG) para o Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na Região de Curitiba, “para atendimento psiquiátrico e psicológico urgente”.
O CMP é um estabelecimento penal de regime fechado, destinado a presos do sexo masculino e feminino, em cumprimeto de medida de segurança e/ou que necessitam de tratamento psiquiátrico e ambulatorial.
"Defesa teve conhecimento de que Luís Felipe, profundamente abalado pelo turbilhão emocional sofrido nos últimos dias, vinha apresentando quadro de depressão profunda", diz o pedido de transferência.
O MP-PR pediu uma avaliação psiquiátria e psicológica dele com urgência antes da análise do pedido de transferência.
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Luis Felipe Manvailer foi denunciado por homicídio, fraude processual por alterar a cena do crime e cárcere privado (Foto: Reprodução/Facebook)
O que diz a penitenciária
Por meio de um comunicado, de segunda-feira (6), com o assunto “tentativa de suicídio”, a PIG informa que Luís Felipe apresentava hematomas no pescoço e que, “aparentemente havia se cortado”.
Conforme a Divisão de Segurança e Disciplina da penitenciária, o preso recebeu atendimento médico e está bem fisicamente, mas abalado emocionalmente.
Segundo a penitenciária, o professor confessou que havia se cortado para “acabar com o sofrimento”.
No comunicado, a PIG ainda diz que o marido desistiu do suicídio depois de se lembrar da mãe. Ainda conforme a penitenciária, Luís Felipe está em uma cela especial por ser um preso provisório e ter ensino superior completo.
A família de Tatiane se manifestou contra a transferência. Os advogados alegam que parece “pouco crível a alegação” para a transferência. Ainda segundo os advogados, o máximo que a atitude de Lus Felipe produziu foi “uma pequena lesão superficial”.
Eles questionam o fato de não ter sido anexada foto ao processo e que não há comprovação suficiente de que a lesão retrate uma intenção suicida.
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Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG), onde Luís Felipe está preso (Foto: Fernando Parracho/RPC)
Entenda o caso
A queda de Tatiane foi na madrugada do dia 22 de julho, no Centro. Conforme a Polícia Civil, depois da queda, Luís Felipe recolheu o corpo de Tatiane e o levou de volta para o apartamento.
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Polícia investiga se Tatiane se jogou ou foi jogada da sacada do prédio onde morava em Guarapuava (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil de Guarapuava relatou que viu o marido recolhendo o corpo e que ouviu gritos: “Meu amor, acorda”.
O marido foi preso após sofrer um acidente de carro na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, a 340 quilômetros de Guarapuava. Ele disse que se acidentou porque a imagem da esposa pulando a sacada não saía da cabeça dele.
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Luis Felipe disse que se acidentou porque a imagem da esposa pulando a sacada não saía da cabeça dele (Foto: Reprodução)
O casal estava junto havia cinco anos e era "feliz", de acordo com a defesa do marido. O Ministério Público (MP-PR), porém, diz que Tatiane vivia um relacionamento abusivo.
Familiares e amigos relataram que ela queria pedir o divórcio. Para a polícia, eles disseram que Luís Felipe costumava chamar Tatiane de apelidos pejorativos e que a proibia de contratar uma diarista para ajudar nas tarefas domésticas.
Uma amiga da advogada, Rosenilda Bielack, que conviveu com o casal na Alemanha, contou que a advogada era maltratada constantemente pelo marido, que é faixa roxa no jiu-jítsu. “Tudo era motivo para ele maltratar a Tati, falar coisas pesadas, pejorativas sempre”, afirmou.
Conversas por WhatsApp de Tatiane com Rosenilda mostram como estava a relação dela com o marido. Nas mensagens, entre março e junho deste ano, a advogada relatou sentir "medo" e disse que o marido tinha "ódio mortal" por ela.
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Tatiane relata sentir "medo" e diz que marido tinha "ódio mortal" por ela (Foto: Reprodução)
Uma perícia feita no local da morte constatou que ela teve uma fratura no pescoço, característica de quem sofreu esganadura.
Os promotores estão analisando, agora, imagens e depoimentos das testemunhas e resultados de exames da Polícia Científica que começaram a sair.
Até o momento, o MP-PR tem em mãos o inquérito da Polícia Civil, que tem 400 páginas com 18 depoimentos, relatório detalhado da imagens das câmeras de segurança e o laudo do local da morte que mostra marcas no pescoço de Tatiane.
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Prédio onde casal vivia no Centro de Guarapuava (Foto: Ramon Pereira/RPC)
Ainda faltam os laudos da necropsia que deve indicar se a advogada foi morta antes de cair ou com a queda; da perícias nos celulares de Tatiane e de Luís Felipe; da perícia feita com ajuda de um boneco no prédio em que o casal morava e de laudos laboratoriais nos ossos da vítima.
Segundo o promotor Pedro Henrique Brazão Papaiz, Lus Felipe não forneceu a senha para desbloqueio do aparelho, que foi encaminhado ao Instituto de Criminalística.
A família de Tatiane criou páginas nas redes sociais para incentivar a luta contra o feminicídio. No Instagram, o perfil "Todos por Tatiane Spitzner" ganhou mais de 114 mil seguidores em menos de uma semana.
O caso também foi notícia em jornais internacionais, como o The New York Times.
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família de Tatiane Spitzner criou páginas nas redes sociais para incentivar a luta contra o feminicídio. (Foto: Reprodução/Instagram)












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